terça-feira, 14 de abril de 2015

Maluca, maluquinha

Cada qual na sua solidão.
Essa semana,tomei um chá comigo mesma, ofereci café mas lembrei que não gostava do cheiro pois me lembrava você e seu jeito louco de manter-se acordada na madrugada,todas as terças-feiras só pra se manter junto comigo e as risadas no telefone. Decidi tomar um chá gelado,na qual uma breve amiga íntima tinha me mostrado no mês anterior e não parava de tomar desde lá,sentei perto de onde mais gostava de estar, meu computador,num canto da sala com uma pequena cadeira giratoria,na qual eu rodopiava de rir quando você me mandava uma mensagem no facebook me chamando de algo meio anormal. Ao ter certas lembranças,olhei para meu chá gelado e vi que não se tratava de você,e sim vocês e todos os amores que passaram na minha vida e que certamente não voltam mais. até notar que só dois amores,e algumas paixões com fogo de palha, assim por dizer.

Continuei a conversar e cheguei a conclusão de que precisava de alguns reparos, organizei meus papéis, meu quarto e separei minha melhor roupa...tomei um bom banho,daqueles bem gelados pra limpar a alma e me vesti. Coloquei um salto, ajustei a maquiagem,peguei a bolsa e saí. Estava sem dinheiro, apenas a passagem de ida e alguns documentos,segui num ônibus para o centro da cidade. Chegando lá sentei-me numa praça denominada "praça da republica" ,alguns casais estavam sentados fazendo essas coisas de casais, coloca-se a palavra "nojentas' ai no meio da frase. 

Chorei. borrei toda a maquiagem,joguei a bolsa no chão e tirei os saltos que havia colocado, olhei em volta e tinha alguns adolescentes fumando alguma coisa na qual não lembro o nome. Levantei e gritei um "ei pirralho,me dá alguma dessas coisas ai" os moleques riram e me jogaram uma garrafa de vodka mandando um "toma aê tia,ta precisando" . Bebi aquela garrafa sem parar,como se estivesse lavando todo meu coração,meu fígado e deixando cada orgão mais fodido do que já estava. A bebida desceu fervendo e cortando pela garganta,quando acabei tudo a minha volta estava embaçado e minha cabeça doía.

Parei de andar,escorei num poste de luz qualquer e taquei a garrafa num canto qualquer, cambaleiei até um ponto de ônibus que avistei no fundo da cena e me mandei de volta pra casa,chorei ainda mais por não lembrar de nada e por saber que minha tentativa de recomeçar e ter "um papo comigo mesma" haviam falhado. Bom,acho que eu tentei,só não me lembro. 

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Overdose e embriagues

"Ela soltou demais o verbo, acabou vomitando poesia" 

Quando eu a vi pela primeira vez,eu senti como se fosse voar,como se algo me tirasse do chão e me fizesse flutuar até o seu abraço, até seu cheiro. Cheirava á rosas envelhecidas do outono passado misturas com cacau,um cheiro próprio, que quando inalado parece algum tipo de droga, viciante. Quero me entorpecer de você, quero me viciar.

Ela é o tipo de bebida alcoolica que te faz entrar em coma com meio copo,dependendo do seu ponto vista,um copo meio cheio ou meio vazio,você decide. Sua bravura em meio ao seu caos faz qualquer um transbordar,até mesmo a si própria. perguntou-me : "e quem ama problema?que nasceu pra amar o caos?" o caos,o seu caos,foi feito pra mim querida. Fui embora tantas vezes e eu só quero você,só quero seu caos,toda vez que vou. ME PUXE!

Não há como escapar do seu caos,da overdose da sua droga, ela me puxa,me atraí e retrai, como se fosse algum tipo de dor gostosa de sentir,um tipo de droga que você sabe que faz um mal danado mas você continua lá. É como um ímã junto de outro do mesmo tipo, que quando juntos se retraem mas não conseguem se separar,algum tipo de força os puxa de volta. 

Tenho receio que a espuma do seu alcool transborde e fuja sem antes eu poder senti-la,sem antes apreciar cada detalhe do seu gosto de menina amarga e doce,sem antes degusta-la da forma na qual sempre quis. Quero afogar-me no teu alcool,querida. 
Quero me embebedar de você,quero ser o alcoolatra do teu caos. O alcoolatra que deixa na medida,te enloquece e te consome,te esgota.Deixe-me afogar no teu alcool querida.deixe-me embreagar-me do teu ser.

Ela se foi

"Te amei não a primeira vista,digamos que a primeira mensagem"

Eu a mandei embora cara,esperei todo tipo de sinal de que ela seria relutante e diria “eu fico!”, um sinal de fumaça, um telefonema,um oi,uma mensagem,qualquer coisa” mas ela se foi, ela se foi como a água que corre nos rios alheios, como um pássaro quando sai de uma gaiola. Ela se foi. 

A última vez que a vi ,ela estava vestida com um jeans apertado,maior que ela ,com uma blusa do seu time de futebol favoritos,seus óculos e balançando os poucos cabelos que lhe restava, ela dançava e sorria sem parar,ela se foi. 

O sorriso que me fez reviver agora me faz morrer,o sorriso que fez  florescer agora me faz murchar, ela se foi.  Semanas depois de sua ida,eu estava enlouquecendo ,á procurava em todos os lugares,eu gritava sem nome,eu chorava exaustivamente ,eu a dizia para voltar,ela não me ouvia,eu a dizia pra esquecer que a mandei ir,disse pra ficar,eu gritei pra ela ser minha novamente. 
Eu estava enlouquecendo ,aquela baixinha ,eu precisava do abraço daquela garotinha,da menina que ria sem parar,e me abraçava como se nunca fosse soltar,aquela que disse ao pé do meu ouvido “eu te amo guria” eu quero tê-la nos meus braços novamente. Ela se foi. 

Ao observar ela dançando eu percebi o quanto a queria,percebi que as borboletas do meu estomago reviveram, que elas querem sair pela boca e invadir a dela,com os beijos dela,com seus lábios gelados tocando os meus,com sua pele fervendo na minha,com ela na minha frente,me olhando de um jeito que só ela sabe como. Ela se foi. Ela se foi por culpa minha,é como se... se ela quisesse ficar mas algo a impedisse, eu a impeço,eu a dou insegurança,medo. Como pude? Como pude manda-la embora da minha vida assim? Sem ao menos uma explicação. Quando lembro dos seus braços ao redor da minha barriga sussurrando “você é do jeito que eu imaginei” . Ela se foi.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Uma lua cheia de fases,literalmente

Quando coisas ruins acontecem com pessoas boas, você começa a se perguntar o que é certo e o que é errado

A menina tinha cabelos curtos,negros e era branca como leite,nariz um pouco arrebitado na ponta e uma boca bem fina. O corpo? era magra como aquelas modelos que a gente tenta ser e nunca consegue,era isso que mais preocupava-me. Era tão doce e tinha provado do mais amargo,sempre todos indo e vindo na sua vida, seu pai estava á olhando de longe e não podia ajuda-la. Mal comia pra continuar mantendo o corpo,ou era simplesmente a desculpa que usava por não ter fome o suficiente ,muito menos vontade de continuar a viver. Mas apesar dos apesares ela estava ali,firme. como uma brava guerreira. De dia,meio tímida sorria para os estranhos transmitindo uma paz absurda,fazia piadas e caçoava de sí mesma. A noite? ela chorava e gritava ao seu travesseiro amassado o quanto sentia falta da velha amiga e de seu pai que á olhava de longe. 

Seu pai me visitou um dia desses,falou-me que ela estava precisando de mim,que ela ainda era  mesma garotinha que eu havia conhecido. Pediu também para que eu cuidasse dela como sempre o fiz. Quando foi isso? final do mês passado,visitou-me como um anjo em sonhos. Infelizmente não pude conforta-la com minhas palavras,afinal,onde estavás minha lua ,se não dentro de mim ?
Ele tinha cabelos no ombros,como quando era mais novo,vestia branco e seus olhos pareciam inchados,de cansaço...porém felizes. Mandou-me dizer "cuida da minha menina,cuida da minha pequeno,diz que a amo ,e faz entender que eu a enxergo de longe,ao lado do meu pai." Entendi que pai,seria Deus ou não,eu ainda me pergunto.

Prometi a menina de fases que a esperaria para vagar nas noites esquecidas para admirar as estrelas, assim,sem rumo, sem ter pra onde ir, fugir. Só fugir. Tenha calma minha menina,um dia iremos realizar cada um de nossos planos. Iremos parar num bar,tomar uma vodka pura e dizer "acho que não deveriamos ter tomado isso puro" e rir. Porque é oque faziamos, riamos sem parar nas noites de insônia. Ai que saudades de você minha lua,uma menina com tantas fases,tantas faces. Apenas eu ,e mais ninguém conhecia seu ser estável.